Extremo leste do Canadá, história e encantos para serem descobertos.

Depois de passar pelos últimos estados americanos da costa leste, estávamos ansiosos para cruzar a fronteira em direção ao Canadá e seguir para uma região pouco conhecida de viajantes brasileiros, os estados canadenses localizados no leste do país. Esta região é procurada normalmente no verão, quando o clima é agradável e as paisagens estonteantes. Quando passamos pelo sul da Flórida, no Parque Nacional de Everglades, conhecemos um casal de viajantes canadenses que nos forneceu dicas valiosas sobre este país que encantam turistas e aventureiros. Ao perguntar aos canadenses qual seria o lugar que não poderíamos perder e eles foram unânimes, a mundialmente famosa Cabot Trail. Confesso que seguimos para os estados de Nova Scotia e New Brunswick sem muitas expectativas, considerando que já tivemos informações deste tipo de alguns lugares e não corresponderam às indicações. O clima ainda está frio, o mês de maio apresenta temperaturas bem abaixo do previsto para o verão, mas mesmo assim, pegamos a estrada em direção à cidade de Fredericton, em New Brunswick. Foram longas horas de estrada e logo percebemos que entramos mesmo no Canadá, na cidade se ouve bem mais o francês que o inglês. Notamos que nesta parte do Canadá, os moradores são resistentes à língua inglesa, querem a todo custo manter a tradição do francês como língua oficial. Dormimos no Wallmart da cidade sem qualquer perigo e no dia seguinte seguimos para a pequena cidade de Baddeck, já no estado de Nova Scotia.

     

       

     

      

As distâncias são longas e no caminho paramos para conhecer alguns atrativos do estado, entre eles a pororoca Canadense, onde turistas surfam as ondas de bote, tipo rafting. As ondas são pequenas, mas garante uma boa diversão durante os meses mais quentes. Observamos a passagem do fenômeno natural e em seguida paramos numa espécie de museu indígena e assim conhecer um pouco da cultura dos povos ancestrais desta região, os “Mi’kmaq”, os esquimós do Canadá, que se assemelham bastante aos Inupiaq americanos, que viviam no extremo norte do Alaska. É incrível imaginar estes moradores vivendo em temperaturas baixíssimas, utilizando peles de animais e fogo para se aquecerem. De volta à estrada, aos poucos víamos placas indicativas da cidade de Baddeck, sempre relacionadas ao seu morador mais ilustre. Acredito que poucas pessoas saibam que o inventor do telefone, o escocês Alexander Graham Bell, viveu na pequena Baddeck, boa parte de sua vida. 

      

     

     

Atualmente, a pequenina cidade tem cerca de dois mil habitantes apenas e está situada às margens do lago Bras d’Or. O nome Baddeck, segundo historiadores, vem da língua Mi’kmaq, do termo “Abadak”, que significa: Lugar com uma ilha próxima, se referindo a Ilha Kidston. A cidade conta com os serviços essenciais e com algumas repartições públicas que atendem aos moradores e fazendeiros das regiões ao redor. O turismo de Baddeck teve seu crescimento acelerado após a construção da belíssima Cabot Trail, uma estrada cênica que no verão deslumbra os viajantes com as paisagens coloridas e muita vida selvagem. Iniciamos nossa visita a Baddeck pelo magnífico museu dedicado à Graham Bell. A visita é enriquecedora, impressionante as instalações do acervo e como a história e os equipamentos são dispostos, mostrando em detalhes como foi feita a primeira chamada telefônica. Outra grande façanha de Graham Bell aconteceu bem ali em frente ao museu, na baía de Baddeck. Em 1909, apenas seis anos após os irmãos Wright executarem o primeiro voo da história da aviação mundial, mais de 100 pessoas testemunharam Mister Bell voar com um aparato motorizado por 800 metros sobre as águas congeladas da baía de Baddeck. As invenções e conquistas de Bell foram incontáveis, um homem simples e brilhante que deixou um legado de inventos que até os dias de hoje utilizam sua tecnologia. Sua esposa Mabel, também participou ativamente de sua vida. Mesmo sendo surda, foi aos poucos utilizando a linguagem dos sinais criada por Bell e ainda foi testando aparelhos de surdez inventados pelo marido. Na verdade, a envolvente história da vida de Graham Bell traz aos visitantes do Museu um sentimento de gratidão e respeito por este grande homem que vai muito além da invenção do telefone.

     

     

     

Deixamos o museu e a cidade de Baddeck para enfim percorrer a famosa Cabot Trail. O nome foi uma homenagem ao explorador italiano Giovanni Caboto (John Cabot) que chegou nestas costas em 1947. O nome também celebra o encontro entre os Cabot e o povo Mi’kmaq, os primeiros moradores da Ilha de Cape Breton, há mais de 500 anos atrás. A trilha de Cabot, como ficou conhecida pelos moradores locais, tem cerca de 300 km e ficou totalmente pronta em 1932. Toda sua extensão pode ser percorrida em um dia ou uma semana, vai depender do número de paradas do viajante e sua vontade de desfrutar momentos únicos destas paragens. O término da estrada acabou por unir comunidades previamente isoladas com histórias intrigantes envolvendo colonizadores acadianos, irlandeses e escoceses.

      

       

     

         

Percorrer as belas estradas da Cabot Trail te transporta por paisagens bucólicas de pastoreio, rios repletos de trutas e salmões e pode ser também um convite para uma caminhada pelas montanhas ou até um passeio de caiaque. As regiões são deliciosamente diferentes, em poucos quilômetros você pode cruzar um vale majestoso como a região de Margaree, ou Découvrez l’histoire de Chéticamp (descobrir a história de Chéticamp) um pedaço da França onde a joia de viver está em compartilhar pratos típicos, a cultura e a música do povo acadiano. Este região é muito forte em lagostas, por todo lado pescadores carregam seus barcos e saem para o mar onde colocam suas armadilhas e voltam horas depois para recolherem. Com toda esta fartura não foi difícil encontrar um restaurante bem ao lado da estrada e saborear uma deliciosa lagosta por apenas 16 dólares, simplesmente imperdível ! Depois deste almoço dos deuses, seguimos adiante pela estrada, um asfalto bom, bem conservado e com ótima sinalização, chegamos ao Parque Nacional Cape Breton Highlands. No mês de maio há pouco movimento, várias estradas de acesso ao parque ainda permanecem fechadas mas mesmo assim as montanhas e florestas são frondosas e repletas de vida selvagem. Não demorou para que avistássemos nosso primeiro urso, desde o início de nossa viagem, era um sonho antigo ver de perto este mamífero dos bosques e florestas de pinos ao norte das Américas. Era um urso preto, uma espécie tranquila que normalmente não se incomoda com a presença humana, respeitando sempre seu espaço é claro.  Registramos aquele momento em êxtase mas posteriormente outros indivíduos apareceram em nosso caminho novamente.

     

       

     

     

       

Chegando ao topo das montanhas, a Letícia com olhos apurados avista as margens da estrada um bicho com uma grande galhada na cabeça, era outro animal das montanhas, o “moose”, chamado pelos brasileiros de alce devido ao seu nome científico “Alce Alce”.  Estes nomes confundem às vezes, mais alguns quilômetros e vimos um enorme “Elk”, um veado, esse sim deveria ser chamado de Alce. Continuamos explorando a região e agora a estrada seguia para o litoral, as grandes escarpas nas montanhas e praias com pedras redondas como se estivessem sido esculpidas a mão.

     

     

     

Passamos pela ponta Norte na Pleasant Bay, onde turistas partem para avistagem de baleias que estão por ali normalmente no verão. Demos uma grande volta e chegamos em Ingonish, uma pequena praia, uma das últimas paradas antes de deixarmos a Cabot Trail.  Esta região é mesmo um tesouro, lembrávamos a todo tempo das palavras dos nossos amigos canadenses. Ficamos encantados e imaginando como seriam aquelas paisagens no final do verão, quando as folhas estão multicoloridas, muito verde e temperatura agradável. Com certeza este é um lugar que gostaria de voltar em agosto.  Poderíamos realmente ficar vários dias nesta fantástica região, mas devemos seguir viagem, pois ainda temos muitos lugares interessantes por estas bandas.

 

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Category : Diário de Bordo

3 Comentários → “Extremo leste do Canadá, história e encantos para serem descobertos.”


  1. Patricia Korbin

    4 Anos ago

    We enjoyed meeting you in Victoria, British Columbia, Canada last summer. Congratulations on your successful return. We look forward to your logbook updates after you visited Eastern Canada.
    Merry Christmas and a very Happy New Year for 2013!
    Patricia and Warren

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  2. Philipp

    4 Anos ago

    Onde voces estao?

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  3. HOSANA BELCHIOR

    4 Anos ago

    Ola, adorei conhecer suas experiencias de viagens, pelo que vi vcs fazem de trailler,

    nos temos vontade de ter uma vez essa experiencia,

    estamos planejando uma viagem para o canada em julho sendo casal mais 2 adolecentes

    vc teria condicoes de me dar algumas dicas se todas as cidades pode entrar com o trailler.

    a regiao que estou comecando a estudar para a viagem seria a de vancuver e regioes dos lagos que dizem ser muito bonita, mas se tiver dicas agradeco muito

    obrigada

    Hosana

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